Esta matéria faz parte da série “Tecnologias brasileiras que mudaram o mundo”, exclusiva para assinantes do Clube Olhar Digital.
Você provavelmente ouviu algo num streaming hoje. Uma música, um podcast. Um álbum, uma playlist. O que você talvez não saiba é que esta história começou no Brasil.
Foi em São Paulo (SP) que Andreas Pavel desenvolveu o conceito do que ficaria conhecido depois como Walkman.
Por um lado, a invenção rendeu uma baita dor de cabeça jurídica para Pavel. Por outro, abriu caminho para o Discman e o iPod. E, em última análise, para o hábito de ouvir música num dispositivo portátil.
Engenhoca que viraria Walkman foi criada para ‘colocar trilha sonora na vida real’
Nascido na Alemanha, Pavel veio morar na metrópole paulista aos seis anos. Na época, seu pai tinha sido contratado para trabalhar nas Indústrias Matarazzo. Sua mãe, Ninca Bordano, era artista.
A casa da família era daquelas que cultivavam arte e criatividade. Tinha ateliê e um salão com equipamento muito bom para ouvir música. Este era o espaço para a “resenha”, onde se conversava sobre música, literatura, política.
Era a década de 1970. Nesta época, muitos jovens brasileiros curtiam o idealismo hippie enquanto enfrentavam a opressão da ditadura militar. A engenhoca brotaria deste caldo.
“Era puramente estética”, respondeu Pavel ao jornal New York Times quando perguntado sobre a motivação para criar o dispositivo portátil para ouvir música.
