O início do plantio da soja na safra 2026/27 exige atenção redobrada dos produtores diante dos efeitos do El Niño sobre o clima brasileiro. Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, o fenômeno pode favorecer uma combinação de chuva irregular, temperaturas elevadas e eventos meteorológicos mais extremos ao longo do ciclo.
Müller explica que o aquecimento dos oceanos interfere na atmosfera e aumenta a quantidade de vapor de água disponível, elevando também a energia para a formação de eventos meteorológicos mais intensos.
“Se eu tenho mais calor, tenho mais vapor de água indo para a atmosfera, consequentemente, mais energia. E essa energia é toda transferida para, muitas vezes, eventos climáticos mais extremos e com mais frequência”, comenta.
Chuva deve firmar a partir de outubro
Para o Centro-Oeste, Müller aponta que as chuvas devem ganhar força a partir da segunda quinzena de outubro. O cenário é especialmente importante para Mato Grosso, onde parte das áreas produtoras ainda precisa recuperar a umidade do solo.
“Mato Grosso como um todo não está com reposição íntegra do solo. Precisa chover 100, 150 milímetros para desdar esse mapa de Mato Grosso”, diz.
O meteorologista também destaca que a distribuição da chuva pode ser bastante irregular entre as regiões. Em áreas como Ipiranga do Norte, Sinop e Sorriso, em Mato Grosso, ele identifica uma condição de transição, com diferenças na disponibilidade de precipitação.
