Milhares de quilômetros a oeste do Peru e a leste da Indonésia, no coração azul do oceano Pacífico equatorial, um aumento pequeno, porém persistente, da temperatura da água está colocando o planeta inteiro em alerta. Cientistas preveem que, até o fim deste ano, o deslocamento dessa massa de água aquecida na direção da América do Sul poderá desencadear o mais intenso evento de El Niño já registrado pela ciência moderna, com consequências potencialmente gravíssimas para diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil.
O primeiro alerta veio no início de junho, quando a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, sigla em inglês) anunciou que um El Niño havia se formado. Isso acontece quando a temperatura da água na faixa equatorial do oceano Pacífico permanece pelo menos 0,5 °C acima da média por vários meses consecutivos, acompanhada de mudanças no padrão de circulação dos ventos alísios, que normalmente empurram essa água quente na direção da Austrália e do Sudeste Asiático (veja infográfico completo).
Desde então, a situação só piorou. Em julho, a anomalia térmica já havia ultrapassado 2 °C em grande parte da região leste do Pacífico, que banha a América do Sul.
