Carlos Alberto dos Santos é professor aposentado de Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
Depois de César Lattes, nos anos 1950, o físico Constantino Tsallis talvez seja o primeiro brasileiro a ter chances de ganhar um Prêmio Nobel – se não ainda este ano, no próximo.
Autor de uma proposta que mudou a visão da Ciência sobre a termodinâmica nos anos 1980, sua abordagem da entropia – a medida do grau de desordem de um sistema, neste caso ligada à disponibilidade (ou indisponibilidade) de energia nele – abriu caminho para soluções de diversos problemas. Tanto de questões antes intratáveis da física – como plasmas astrofísicos, sistemas gravitacionais e raios cósmicos – quanto fora dela, incluindo campos como neurociência, genômica, dinâmica populacional e econofísica.
Para entender a importância do trabalho de Tsallis, no entanto, é preciso recapitular a história da termodinâmica, que remonta aos anos 400 antes da Era Comum (AEC). Naquela época, na Grécia Antiga, o filósofo Heráclito de Éfeso (500 AEC – 450 AEC) introduziu seus conceitos sobre fluxo e fogo, resumidos na máxima “tudo flui”. Daí se passariam mais de 400 anos até o surgimento do primeiro modelo de uma máquina térmica demonstrando a possibilidade de realizar trabalho a partir do vapor d’água.
