Texto Pâmela Carbonari | Design e arte em papel Caroline Aranha
Foto Juliana Krauss | Edição Rafael Battaglia
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or dia, 361 mil bebês nascem no planeta. Em um ano, 132 milhões de pessoas se tornam mães (pela primeira, segunda ou quinta vez). E não há nada tão radical para o corpo humano quanto colocar alguém no mundo.
Entre gestar, parir e nutrir um bebê até que ele tenha alguma autonomia, uma grande revolução acontece. No útero, a capacidade média do órgão passa de 10 mililitros para 5 litros – 500 vezes mais. Junto com esse aumento há o dos níveis de estrogênio, progesterona, prolactina, ocitocina, TSH, beta hCG e tantos outros hormônios que fazem da gestação o maior evento endócrino da vida de um ser humano (a carga hormonal chega a ser de 200 a 300 vezes maior durante a gestação e despenca no parto).
A placenta se entranha no corpo com 51 km de vasos capilares, a densidade dos ossos diminui, os ligamentos se estiram, a tolerância ao estresse aumenta, a capacidade de interpretar expressões faciais fica mais aguçada, a idade biológica galopa na frente da cronológica. A pessoa se torna uma criatura quimérica que carrega as células do ser que gestou para o resto da vida – o DNA do feto pode ser encontrado nos órgãos maternos mesmo após a morte da mãe.
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Desde os anos 1970, existe um termo para descrever as mudanças físicas, psicológicas e sociais que acontecem durante a gravidez e o início da maternidade: “matrescência”.
