Algumas mães chimpanzés e bonobos compartilham um hábito peculiar: continuam carregando seus filhotes mesmo depois que eles falecem. Chamado cientificamente de “transporte de cadáver infantil”, esse comportamento tem intrigado cientistas há anos, que buscam formas de explicá-lo. Alguns afirmam que o nível de experiência materna e o sexo do bebê importam. Outros apontam que o comportamento é transmitido entre as mães. Nenhuma das hipóteses foi comprovada.
Por serem os parentes vivos mais próximos dos seres humanos, entender o comportamento desses animais é também importante para compreender a origem evolutiva do luto na nossa própria espécie.
Uma nova pesquisa da Universidade de Oxford, publicada no periódico científico Biology Letters, decidiu testar essas teses. Os pesquisadores concluíram que, provavelmente, esse hábito existe por causa do forte vínculo entre as mães e seus filhotes – e que a causa da morte também importa.
Para isso, os pesquisadores analisaram 83 casos de transporte de cadáver infantil que ocorreram em 15 locais distintos. Eles perceberam que o comportamento era bastante variável. As mães ficavam com o corpo dos filhotes por períodos de 30 minutos a 126 dias após sua morte. Algumas carregaram os bebês até depois do ponto em que seus corpos já estavam mumificados.
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Alguns fatores influenciavam o tempo que a mãe carregava o corpo.
