Chegamos ao fundo do poço. As revelações envolvendo ministros do Supremo com integrantes da Polícia Federal e banqueiros revelam o grau de perversão institucional que estamos vivendo. Ou o problema é resolvido agora, ou o Brasil acaba.
A nossa Constituição reservou duas formas de expurgar juízes do Supremo que cometem crimes: uma jurídica e outra política.
A jurídica: ministros do STF julgarem os próprios pares.
O julgamento iniciado no dia 15 mostrou que isso não acontecerá. Jogaram o exame do caso para o próximo ano, sendo que a investigação de Moraes está nas mãos da Presidência e, no ano que vem, quem a assumirá será o próprio Moraes.
Mendonça talvez seja o único interessado em investigar seriamente um colega. Mas juízes isolados que tentaram enfrentar estruturas de poder, como Joaquim Barbosa e Sergio Moro, sabem quanto custa desafiar o sistema sem apoio institucional.
Resta, portanto, a saída política: o impeachment de ministros no Senado.
O impeachment já não deveria ser pauta de direita ou de esquerda. Tornou-se uma necessidade de sobrevivência das instituições. Não basta aprovar códigos de conduta, criar leis ou imaginar uma reforma do Judiciário. Novas regras serão tão inúteis quanto as antigas se aqueles que devem obedecê-las estiverem convencidos de que jamais sofrerão consequências.
O Brasil não precisa de uma reforma. Precisa de um choque de ordem.
