Uma das perguntas que mais ouço no consultório é: “Doutor, o que eu posso fazer para prevenir o Alzheimer?”. A resposta exige algum cuidado. Não existe uma fórmula capaz de garantir que uma pessoa nunca desenvolverá a doença. Entretanto, hoje sabemos que uma parcela importante do risco de demência está relacionada a fatores que podem ser modificados ao longo da vida.
Em 2024, a Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidados em demência atualizou a relação de fatores potencialmente modificáveis, que passou de 12 para 14. Isso significa que temos diferentes frentes nas quais podemos atuar para diminuir a probabilidade de desenvolver Alzheimer e outros quadros demenciais. Não é uma garantia, mas é uma oportunidade concreta de prevenção.
O primeiro fator é a baixa escolaridade. Existe um conceito importante em neurologia chamado reserva cognitiva. Podemos imaginá-la como uma espécie de poupança que construímos durante a vida. Quanto mais aprendemos e estimulamos nosso cérebro, maior tende a ser essa reserva.
AO VIVO: CNN SINAIS VITAIS - DR. KALIL ENTREVISTA | DEMÊNCIA | 05/10/2024
E isso não significa apenas educação formal. Ler, estudar, assistir a bons filmes e documentários, aprender coisas novas e manter atividades intelectuais são formas de estimular continuamente o cérebro. Essa construção começa na infância e deve continuar durante toda a vida.
