O Banco Central do Brasil poderá acelerar os cortes da taxa Selic a partir de dezembro, a depender do resultado das eleições. Essa é a avaliação da Quantitas, que identificou um tom mais ameno no comunicado divulgado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nesta semana, apesar de o documento ter trazido poucas alterações em relação aos anteriores.
Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, avaliou que o Banco Central adotou uma postura especialmente cautelosa em sua comunicação mais recente. Segundo ele, havia dois eventos relevantes que justificavam essa cautela: o processo eleitoral brasileiro e a perspectiva de alta de juros pelo banco central americano. “Era natural que o Banco Central tentasse ser bem cauteloso e aguardar o desdobramento dos dados”, afirmou Chermont.
Apesar das poucas mudanças textuais, Chermont destacou que todas as alterações observadas no comunicado apontaram na mesma direção, a de um tom mais suave. Entre os elementos analisados, ele citou a menção mais clara à desaceleração da economia, com o documento reconhecendo que todos os setores caminham nessa direção, ainda que em velocidades distintas.
Além disso, nuances relacionadas ao processo inflacionário indicaram que a inflação estaria convergindo para um patamar mais baixo. “Foram pequenas mudanças de palavras, mas todas elas na mesma direção”, ressaltou o economista.
