A tentativa de descolar o nome de Lula do escândalo no STF é a tarefa mais árdua que o comitê de campanha do atual presidente enfrentou até agora. Integrantes de alas diferentes da campanha divergem sobre como fazer Lula passar ao largo da bagunça, limitando os respingos que porventura venham a atingi-lo.
Nesta semana, em entrevista à Record, o presidente tentou se desvencilhar da briga no galinheiro em que se transformou o STF. Como sempre, foi eloquente e despejou frases de impacto, como: “Temos que ter uma reforma profunda no Poder Judiciário” e “Quem for ministro ou estiver no Poder Judiciário não pode querer ficar rico”. Lula também disse ao podcast Desce A Letra: “Eu não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte”.
Se, na TV, a estratégia pode ter funcionado, na vida real o quadro é mais complexo. No plenário do Supremo, na terça-feira passada, foi um ministro indicado por Lula que pediu vista e suspendeu a sessão em que se discutia a possibilidade de abertura de investigação contra um integrante da Corte.
Lula agora recebe um pacote que ajudou a abrir em novembro de 2019, quando foi solto depois que o Supremo mudou seu entendimento sobre o início do cumprimento da pena após condenação em segunda instância, recolocando-o como principal adversário do então presidente Jair Bolsonaro.
