Um vídeo publicado nas redes sociais vem arrancando risadas e despertando identificação entre maranhenses ao brincar com uma forma bastante particular de indicar os horários do dia. Intitulado “ABC do Maranhão (Horários)”, o conteúdo publicado pelo perfil @hellendigital transforma expressões populares em uma espécie de “relógio maranhense”.
A proposta é simples: em vez de informar diretamente a hora, o vídeo apresenta expressões que fazem parte do cotidiano e que, para muitos maranhenses, são suficientes para indicar aproximadamente determinado momento do dia.
Entre as expressões apresentadas estão “cagar dos pinto”, “pingo do meio-dia”, “quando o sol esfriar”, “boca da noite” e “tarde da noite”.
O “relógio” do Maranhão
Logo nas primeiras horas do dia aparece a expressão “cagar dos pinto”, utilizada no vídeo para representar aquele período bem cedo, por volta das 4h ou 5h da manhã, fazendo referência ao momento em que o galo canta.
Já o meio-dia aparece de uma maneira bastante característica: “pingo do meio-dia”. Na explicação apresentada no vídeo, seria exatamente meio-dia, quando “o sol tá a pino”.
Para o período da tarde, entra uma das expressões mais conhecidas: “quando o sol esfriar”. No vídeo, a referência é aproximadamente às 16h ou 17h, quando o calor do sol já começa a diminuir.
Quando começa a anoitecer, surge a “boca da noite”, expressão utilizada para representar aproximadamente as 18h ou 19h, justamente quando o dia começa a dar lugar à noite.
E, para encerrar o “relógio maranhense”, vem a “tarde da noite”, associada às 22h ou 23h, período em que muitas pessoas já estão se preparando para dormir.
Mais do que uma brincadeira
Apesar do tom humorístico, as expressões retratadas no vídeo fazem parte de uma maneira popular de perceber e organizar o tempo. Em vez de depender exclusivamente do relógio, a referência pode estar relacionada ao comportamento do sol, ao canto do galo, ao momento das refeições ou às atividades habituais do cotidiano.
Expressões como “quando o sol esfriar” e “boca da noite”, por exemplo, permitem que as pessoas compreendam um determinado período sem necessariamente estabelecer um horário exato.
É justamente essa característica que dá graça ao vídeo: para quem é maranhense ou está acostumado com essas expressões, a mensagem parece perfeitamente compreensível. Para quem vem de outra região, entretanto, a pergunta inevitável pode ser: afinal, que horas são?
A linguagem que também é cultura
O sucesso da publicação mostra como situações aparentemente simples do cotidiano podem se transformar em conteúdo de humor e identificação nas redes sociais.
Nos comentários, internautas reconhecem as expressões e compartilham outras formas populares de indicar horários, reforçando a ideia de que a maneira de falar também é parte da identidade cultural de uma região.
No Maranhão, pelo menos de acordo com a brincadeira apresentada no vídeo, talvez o relógio nem seja tão necessário assim.
Se alguém disser que é “pingo do meio-dia”, que é “quando o sol esfriar” ou que já chegou a “boca da noite”, muitos maranhenses provavelmente saberão exatamente do que se trata.
E, se for “tarde da noite”, talvez seja melhor nem perguntar a hora: é sinal de que já está na hora de dormir.
Confira o vídeo:
