Os efeitos do El Niño de 2026 já são sentidos e podem continuar avançando em intensidade. O fenômeno está em fortalecimento e, segundo o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, agência governamental dos Estados Unidos que monitora o clima e os oceanos), há mais de 90% de chance de que se torne muito forte nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, os oceanos vêm registrando temperaturas excepcionais. O Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas, cuja série histórica começa em 1979, registrou, em 22 de agosto, temperatura média diária de 21,1ºC na superfície dos oceanos fora das regiões polares, um valor recorde.
Na bacia amazônica, as consequências associadas ao El Niño são bem conhecidas: períodos de estiagem mais severos, com queda abrupta no nível dos rios e impactos sobre a biodiversidade e os modos de vida dos amazônicos.
Durante a seca histórica de 2023-24, também influenciada pelo El Niño e pelo aquecimento global, jornalistas e cientistas registraram alta mortalidade de peixes e até de botos-cor-de-rosa, além de algumas das imagens mais impressionantes de grandes rios e lagos, outrora abundantes em água, reduzidos e com temperaturas acima daquilo que muitos animais conseguem suportar.
Em 2026, apenas 2 anos depois da última seca extrema, a Amazônia já começa a vivenciar novamente condições excepcionais. Em 31 de agosto, Manaus viveu seu dia mais quente do ano (até o momento), chegando a 37,3ºC, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia.
