Há momentos em que uma instituição chega a uma encruzilhada tão profunda que já não basta perguntar como ela sobreviverá à próxima crise. É preciso perguntar se aquilo que sobreviverá ainda merecerá carregar o mesmo nome.
Talvez este seja o momento vivido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em meio a uma crise que há muito deixou de ser apenas jurídica, o STF parece ter chegado até o ponto em que suas maiores ameaças já não estão nas ruas, no Congresso, no Palácio do Planalto ou em governos estrangeiros. Estão dentro de casa. Nos corredores, nos gabinetes, nas decisões tomadas entre aqueles que depois precisarão julgar uns aos outros.
É nesse cenário que uma antiga expressão cristã volta a fazer sentido: “Quo vadis?” Em bom português: “Aonde vais?”.
Segundo a tradição, Pedro abandonou Roma quando encontrou Cristo caminhando na direção contrária. Ao perguntar “Quo vadis, Domine?”, ouviu uma resposta que o fez compreender que fugir também era uma escolha.
Pedro então retornou. Voltou para enfrentar aquilo de que tentava escapar.
Hoje, talvez seja o Supremo quem esteja deixando Roma. Os episódios envolvendo o Banco Master colocaram diante da Corte algo que nenhuma instituição gosta de enfrentar: a possibilidade de que os mesmos mecanismos de escrutínio utilizados contra tantos outros agora alcancem seus próprios integrantes.
