Abdul Nur teve notícias de seu filho Jani Alom pela última vez no início de junho, semanas antes de o menino de 15 anos ser forçado a embarcar em um barco para uma das travessias marítimas mais perigosas do mundo.
“Oh ba”, disse Alom, com os olhos marejados e em pânico, ao telefone, conforme relatou seu pai à CNN. Alom usou a palavra para “pai” em rohingya, o idioma falado pelo grupo étnico de mesmo nome.
“Vou ser colocado num barco rumo à Malásia.”
O menino havia sido sequestrado numa noite, dois meses antes, enquanto voltava da escola para casa no campo de refugiados de Bangladesh, onde a família vive há quase uma década, ao lado de mais de um milhão de outros rohingyas exilados do oeste de Myanmar.
Os rohingya são uma minoria muçulmana apátrida do estado de Rakhine, em Myanmar, que enfrenta décadas de perseguição patrocinada pelo Estado, violência e o que os EUA classificaram como genocídio.
Todos os anos, milhares de refugiados rohingya, muitos deles mulheres e crianças, se amontoam nos porões superlotados de antigos barcos de pesca que partem de Bangladesh ou Myanmar para atravessar as águas agitadas e abertas da Baía de Bengala e do Mar de Andaman em busca de segurança ou oportunidades na Indonésia ou na Malásia.
