Durante seu encarceramento na notória prisão de Evin, em Teerã, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi conseguia enviar clandestinamente fragmentos de seus escritos para fora da prisão com a ajuda de amigos e companheiras de detenção.
Os riscos eram enormes; Mohammadi, de 54 anos, sofreu espancamentos violentos, adoeceu gravemente e passou grande parte das últimas duas décadas na prisão, longe de seus filhos, devido ao seu ativismo contra o regime iraniano.
“Uma amiga minha tentava levar apenas três folhas de papel durante um dia de visita, mas as forças de segurança da prisão as confiscaram dela”, disse Mohammadi à jornalista Jomana Karadsheh, da CNN, na quarta-feira (16), em uma de suas primeiras entrevistas desde que foi libertada da prisão, em maio, sob licença médica temporária.
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Em outra ocasião, mais de 20 de seus cadernos foram perdidos depois que ela, segundo seu relato, foi brutalmente espancada e transferida à força para outra prisão.
No entanto, ela continuou escrevendo, sem temer as consequências de se manifestar, e transformou esses fragmentos no livro de memórias “A Woman Never Stops Fighting”, que está sendo lançado este mês em alguns países europeus.
