BRASIL - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a adotar um discurso mais moderado na campanha pela reeleição, reconhecendo dificuldades do governo e admitindo que poderia ter feito mais durante o mandato. A mudança ocorre em meio à pressão eleitoral e à preocupação da campanha com temas como custo de vida e endividamento das famílias.
A nova abordagem foi discutida por aliados e passou a aparecer nos discursos e entrevistas do presidente nas últimas semanas. A estratégia combina o reconhecimento de problemas enfrentados pela população com a defesa dos resultados do governo e comparações com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo integrantes da campanha, a intenção é dialogar especialmente com eleitores independentes e apresentar propostas para um eventual quarto mandato.
Lula reconhece dificuldades do governo
Uma das primeiras mudanças de tom ocorreu em 10 de setembro, durante entrevista ao SBT. Na ocasião, Lula afirmou que lamentava o fato de as políticas econômicas do governo ainda não terem atendido às expectativas da população.
O presidente mencionou especificamente o custo de vida e reconheceu que os resultados obtidos na economia não foram suficientes para resolver todos os problemas.
Em entrevista à Record, na última terça-feira, Lula voltou ao tema da inflação dos alimentos e afirmou que “não resolvemos tudo”, embora tenha destacado medidas adotadas pelo governo para ampliar o acesso à alimentação.
