Os ataques da Rússia à Europa visam fazer com que a guerra pareça mais próxima, sem realmente iniciá-la. Provocar, sem forçar uma resposta. Alarmar, sem causar uma mudança real de comportamento. É uma estratégia construída em torno de uma contradição.
Moscou intensificou visivelmente seu conflito de “zona cinzenta” com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Europa nesta última semana.
Desde o final do domingo passado (13), uma ferrovia pela qual viajavam ex-autoridades ocidentais de alto escalão foi atacada por um drone russo; outro drone, provavelmente de origem russa, foi abatido na Lituânia; um terceiro também apareceu na costa polonesa; já um helicóptero dinamarquês escapou por pouco de ser atingido por um sinalizador russo; além de trens holandeses que foram paralisados por um ato de sabotagem cuja autoria ainda não foi reivindicada.
Nada disso é por acaso. E tudo isso ocorre após semanas de alertas de que Moscou buscaria uma escalada com a Otan, embora talvez não porque deseje ou tenha condições de sustentar um conflito aberto com a maior aliança militar da história.
Em vez disso, o presidente russo, Vladimir Putin, tem dois objetivos, facilitados por uma administração Trump relutante em contrariá-lo devido às eleições de meio de mandato no país e pelo estado de escassez crítica das defesas aéreas da Ucrânia.
