O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central voltou a cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic ao patamar de 13,75%. A decisão foi unânime e representa o quinto corte consecutivo de mesma magnitude desde março.
A economista-chefe do Andbank Brasil, Silvia Ludmer, avaliou que o Banco Central deve continuar com o que ela denomina de “ciclo de calibragem” da taxa de juros. Segundo ela, trata-se do ciclo mais conservador e gradual desde pelo menos 2003. “Ele está se movendo bem devagar”, afirmou.
Apesar de a inflação corrente apresentar componentes mais benignos no período, Ludmer destacou que as expectativas inflacionárias continuam se deteriorando. Desde março, quando o Banco Central iniciou os cortes, o consenso do IPCA no relatório Focus para o ano corrente passou de 4,10% para 4,9%.
Para o ano seguinte, a projeção saiu de 3,8% para 4,3%, e para 2028 avançou de 3,5% para 3,80%. “Os economistas continuam preocupados com a trajetória da inflação para frente e esses números estão se afastando do centro da meta”, disse a economista.
Ludmer apontou ainda que, mesmo reconhecendo riscos assimétricos de alta para o IPCA, o Banco Central não sinalizou qualquer intenção de interromper o ciclo de cortes. Para ela, a instituição parece adotar uma postura “um pouco mais flexível” e “mais tolerante com a inflação mais alta”.
