Quando a mais alta Corte do país, que deveria ser referência de moralidade e ética, transforma o plenário em um bate-boca de deboches, cinismo e longos discursos verborrágicos, fica difícil acreditar que a justiça brasileira ainda funcione. A situação se agrava quando o objetivo da sessão era determinar se um de seus ilustres membros precisa ser investigado por corrupção. Na última semana, o Brasil acordou para o que a Oeste já avisava há muito tempo: um Supremo Tribunal Federal (STF) autoritário que age politicamente e desrespeita a Constituição. O encontro dos 11 ministros consistia em decidir se Alexandre de Moraes deveria ser investigado depois de suspeitas do seu envolvimento no caso Master. A despeito de qualquer decoro e compromisso com a população, ele e sua turma, composta por Flávio Dino e Gilmar Mendes, se esforçaram para mudar o foco do problema em vez de simplesmente esclarecer o que houve. Não colou, e o episódio pode definir as eleições de todos os cargos neste ano.
O maior impacto é na escolha do presidente, pois o eleito nomeará ao menos quatro novos ministros para o STF. Mas as vagas do Senado Federal ganham protagonismo porque o órgão é o único com poder constitucional de processar, julgar e tirar um ministro do cargo através de um processo de impeachment. Até agora, o atual presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), recebeu 109 pedidos, mas não seguiu adiante.
