A ex-presidente Dilma Roussef falando na Assembleia Geral da ONU em 2015.
John Moore/Getty Images via BBC
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quarta-feira (17/9) que irá para Nova York no domingo para a Assembleia Geral da ONU.
"No domingo, eu vou para a reunião da ONU para ter um bate-papo com o [presidente americano Donald] Trump e dizer: não se meta nas eleições do Brasil. O Brasil só tem um dono, que é o povo brasileiro", disse Lula.
Na próxima terça-feira, dia 22, quando subir à tribuna da Assembleia Geral da ONU, Lula será o primeiro chefe de Estado a fazer um discurso no evento de 2026, algo que se repete a cada ano no mais importante debate diplomático global.
Mas, afinal, por que cabe sempre ao Brasil o papel de iniciar o evento?
A resposta está menos em regras escritas e mais em tradição diplomática.
Segundo o livro O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011, publicado pela Fundação Alexandre de Gusmão no aniversário de 50 anos da ONU, a prática teria começado em 1949, em meio ao clima de confronto da Guerra Fria, justamente para evitar dar primazia aos Estados Unidos ou à União Soviética.
Desde então, tornou-se praxe: antes de abrir a lista de oradores, o secretário-geral envia uma nota à missão brasileira perguntando se o país deseja manter a tradição. A resposta invariavelmente positiva mantém viva uma prática que "honra e distingue o Brasil", nas palavras da publicação.
Por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU
