Em todos esses anos nessa indústria vital, Benedito Gonçalves tem sido um dos funcionários mais dedicados do regime luloalexandrino. Vejamos, em primeiro lugar, o currículo do homem: no ciclo eleitoral passado, o então ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) censurou conservadores e proibiu Jair Bolsonaro de usar imagens próprias na campanha. Como relator do processo que tornou Bolsonaro inelegível, entregou ao regime o que o regime desejava. Tudo em nome da “democracia”, naturalmente, essa senhora que só sai à rua escoltada por togas esvoaçantes.
Depois, as intimidades. Em 17 de agosto de 2022, na posse de Alexandre de Moraes no TSE, câmeras flagraram Benedito em clima de camaradagem com o Descondenado, que, como quem afaga seu cachorrinho de estimação, aplicou-lhe uma já histórica sequência de seis tapinhas no rosto. O ministro, radiante, respondeu: “Tá tudo em casa, tá tudo em casa”. Nunca a imparcialidade foi tão doméstica.
Em dezembro de 2022, na diplomação de Lula, veio outra pérola, uma das frases que se tornaram símbolo do golpe judicial contra Jair Bolsonaro, ao lado de “derrotamos o bolsonarismo”. Benedito cochichou no ouvido de Moraes, sem reparar nos microfones: “Missão dada é missão cumprida”. Até hoje, nunca lhe pediram uma explicação sobre qual era a missão. A fala, porém, tem a limpidez de uma confissão involuntária. Não é preciso muita imaginação para saber do que se tratava.
