É uma estratégia construída em torno de uma contradição. Os ataques da Rússia à Europa visam fazer a guerra parecer mais próxima, sem iniciá-la. Provocar, sem forçar uma resposta. Alarmar, sem causar uma mudança real de comportamento.
Moscou escalou visivelmente seu conflito de “zona cinzenta” com a Otan na Europa na última semana. Desde o domingo à noite, uma ferrovia na qual altos ex-funcionários ocidentais viajavam foi atacada por um drone russo, outro drone de provável origem russa foi abatido na Lituânia, um terceiro foi encontrado nas costas polonesas, um helicóptero dinamarquês foi atingido por muito pouco por um sinalizador russo, e trens holandeses foram paralisados por um ato de sabotagem ainda não reivindicado.
Nada disso é por acaso. E ocorre após semanas de avisos de que Moscou buscaria escalar com a Otan, mas talvez não porque deseje ou possa arcar com um conflito total com a maior aliança militar da história.
Em vez disso, o presidente russo Vladimir Putin tem dois objetivos, facilitados por uma administração Trump avessa a contrariá-lo com metade do mandato ainda pela frente, e pelas defesas aéreas da Ucrânia em um estado lamentavelmente desabastecido.
O primeiro é fazer com que o custo de apoiar a Ucrânia pareça real e crescente, e pese na mente dos eleitores europeus, enquanto partidos de direita pró-Rússia disputam o poder eleitoral em vários países da região.
