Uma pessoa passa mal na calçada. Dezenas de outras cruzam o mesmo trecho, olham, desaceleram o passo e seguem em frente.
Ninguém liga para o serviço de emergência, ninguém se aproxima, ninguém assume a cena. A cada nova testemunha que passa sem agir, a impressão de que “alguém já deve estar cuidando disso” se reforça, e a paralisia coletiva se sustenta sozinha.
Esse comportamento, replicado em situações de emergência ao redor do mundo, tem nome na psicologia social desde o final da década de 1960: efeito espectador.
Um fenômeno batizado por um crime que chocou Nova York
O interesse científico pelo tema nasceu de um caso real. Em março de 1964, Kitty Genovese, gerente de bar de 28 anos, foi esfaqueada até a morte perto de seu prédio, no bairro do Queens, em Nova York.
A cobertura da época, feita pelo The New York Times, afirmou que dezenas de vizinhos teriam ouvido ou testemunhado o ataque sem chamar a polícia. Investigações posteriores mostraram que a narrativa original exagerou o número de testemunhas passivas e que houve, sim, tentativas isoladas de ajuda.
Ainda assim, a repercussão do caso levou psicólogos sociais a investigar formalmente por que pessoas comuns deixam de agir diante do sofrimento alheio quando não estão sozinhas.
O experimento que comprovou a hesitação coletiva
Os psicólogos Bibb Latané e John Darley conduziram, ainda nos anos 1960, uma série de experimentos controlados para testar a hipótese.
