A guerra no Oriente Médio levou o preço do petróleo a acumular uma alta de 77% no ano, com a cotação do barril superando os 109 dólares. A nova escalada das tensões intensificou a preocupação dos mercados com a oferta global de energia, além dos possíveis efeitos sobre a inflação e os juros em diversas economias.
De acordo com Beny Fard, analista macro e sócio da Segundo Minuto, a cotação do barril do Brent vinha se mantendo estável na faixa dos 80 a 90 dólares, especialmente antes de setembro, quando voltaram a ocorrer animosidades entre os Houthis, parte do governo iemenita, e a Arábia Saudita.
“Esse conflito direto entre Houthis e Arábia Saudita não acontecia há quatro anos”, destacou o analista, ressaltando que havia uma trégua entre os dois lados.
A retomada do conflito colocou em risco a passagem de Bab al-Mandeb, pelo Mar Vermelho, um dos poucos pontos de escoamento do petróleo produzido na região.
Segundo Beny Fard, a Arábia Saudita produz cerca de 10 milhões de barris por dia, dos quais aproximadamente 5 milhões escoavam pelo Golfo Pérsico, através do Estreito de Hormuz, “que está obstruído quase que na sua totalidade”, e os outros 5 milhões seguiam pela rota do Mediterrâneo, via Bab al-Mandeb. “Essa obstrução causa um choque de oferta”, afirmou o analista.
Beny Fard também mencionou que a Agência Internacional de Energia já projeta alguma normalização em termos de oferta de petróleo apenas para 2027.
