Quando pensamos em prevenção cardiovascular, alguns fatores aparecem imediatamente: pressão alta, colesterol, diabetes, tabagismo, sedentarismo e obesidade. Nos últimos anos, porém, outro componente ganhou espaço na pesquisa e nas discussões de saúde pública: a qualidade das nossas relações sociais.
Solidão e isolamento social não são exatamente a mesma coisa. Uma pessoa pode morar sozinha, ter poucos contatos e não se sentir solitária. Outra pode estar cercada de colegas, familiares e centenas de contatos nas redes sociais e, ainda assim, experimentar solidão. O isolamento é uma condição mais objetiva, relacionada à quantidade e à frequência das relações; a solidão é a percepção de que os vínculos existentes não correspondem àqueles de que a pessoa gostaria ou necessitaria.
Essa diferença importa, mas os dois fenômenos têm sido associados a consequências para a saúde que vão além do bem-estar emocional.
Estudos observacionais e grandes revisões associam solidão e isolamento social a maior risco de doença cardiovascular, incluindo doença coronariana e acidente vascular cerebral, além de mortalidade prematura. Isso não significa que estar sozinho provoque diretamente um infarto, nem que seja possível atribuir uma doença cardíaca a uma única causa.
O risco cardiovascular é construído pela interação de muitos fatores. Nesse contexto, a desconexão social parece funcionar como mais uma peça desse conjunto.
Existem diferentes hipóteses para explicar essa relação.
