Já que todo mundo está de olho no celular, a indústria cultural está se adaptando a esse hábito. A editora DC, por exemplo, lançou o DC GO!, formato de quadrinhos verticais no qual o leitor acompanha a história deslizando o dedo pela tela. A Marvel oferece uma experiência semelhante com os Infinity Comics, disponíveis no serviço Marvel Unlimited.
Na verdade, a leitura de livros e quadrinhos como uma sucessão de páginas é, em parte, um condicionamento imposto pelo papel. Com o celular se tornando uma de nossas principais portas de acesso à cultura, a forma de ler também mudou. Se lemos mensagens verticalmente, por que não ler quadrinhos da mesma maneira?
Mas a influência do celular sobre a cultura vai mais longe. A China, por exemplo, transformou em fenômeno a chamada “novela vertical”: produções de ficção curtas, criadas especialmente para as telas dos smartphones, que conquistaram espectadores no mundo inteiro.
A Amazon seguiu pelo mesmo caminho ao oferecer a opção de rolagem contínua no aplicativo Kindle. Os puristas vão odiar, mas agora é possível dar scroll em um livro. Olhando de longe, parece que a pessoa deslizando o dedo pela tela está apenas curtindo postagens bobinhas no Instagram. Mas ela pode estar lendo Sófocles ou Goethe.
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