A recente revelação de Brad Pitt de que voltou a beber “de forma mais moderada”, após sete anos de sobriedade devido ao consumo excessivo de álcool, gerou forte reação negativa. Deixando de lado o comportamento passado do ator, a maior controvérsia residia no questionamento da antiga ideia de que alguém que lutou contra o alcoolismo no passado jamais poderá beber normalmente, que a recuperação se define unicamente pela sobriedade.
A controvérsia em que Pitt se envolveu se resume a abordagens antigas versus abordagens relativamente novas para lidar com problemas relacionados ao álcool. O que define se alguém está “recuperado” do alcoolismo passou por “uma evolução na área da saúde”, afirmou a Dra. Smita Das, psiquiatra especializada em dependência química na Clínica de Medicina de Dependência Química e Diagnóstico Dual da Universidade Stanford, na Califórnia.
Nos últimos anos, as áreas médicas relevantes têm adotado amplamente a ideia de um espectro de recuperação, incluindo a sobriedade e a não abstinência, mas alguns médicos, organizações de apoio à abstinência (principalmente os Alcoólicos Anônimos) e pacientes com problemas relacionados ao álcool não acompanharam a ciência, ou estão se opondo veementemente a ela.
Pitt simplesmente deu voz à compreensão ampliada da recuperação do que é comumente chamado de dependência de álcool ou alcoolismo, mas que é oficialmente conhecido como transtorno por uso de álcool (TUA, na sigla em inglês) desde 2013, de acordo com o DSM-5.
