Por incrível que pareça, Meryl Streep vai dar voz a Aslan no novo filme das Crônicas de Nárnia. Não: você não leu errado. Uma mulher emprestará a voz ao personagem mais encantador e mais emblemático do notável C. S. Lewis.
É importante salientar que esse filme não é uma nova adaptação de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Não; ele é baseado em outro livro: O Sobrinho do Mago (The Magician’s Nephew).
No livro que inspira o filme, Aslan cria Nárnia, as estrelas, as montanhas, os rios e os animais falantes. Aliás, no universo de Lewis, Aslan é o Filho do Imperador-além-do-Mar. É quem canta o mundo à existência. É quem, noutro volume da saga, morre no Lugar Pétreo no lugar de um traidor.
Para Lewis, Aslan tipifica Cristo. Por isso, o pronome masculino e a figura do leão, não da leoa.
No filme, Aslan permanece macho; o que se inverte é a voz. E a voz, nesse personagem, não é coisa insignificante.
Uma leitura politicamente correta tende a tratar a voz masculina ou feminina como irrelevante. Isso, por si só, já é um equívoco. Entendo que uma mulher pode dublar personagens variados. O absurdo é este: o único personagem da saga que Lewis construiu como analogia consciente de Cristo ter a voz invertida.
A atriz é extraordinária. Isso não está em questão, e sim o pensamento de Lewis.
A voz de Aslan precisa soar como o que Lewis escreveu: o Filho que ruge, cria, julga e salva, e não como o mundo politicamente correto dos nossos dias.
