A indústria brasileira de café solúvel caminha para um possível recorde de exportações e consumo interno em 2026, mas já olha para uma pressão sobre os custos no ano seguinte. Enquanto a expansão das vendas à Europa e a recuperação dos embarques aos Estados Unidos sustentam o avanço no exterior, o setor alerta que a perda de um crédito tributário sobre a matéria-prima pode comprometer sua competitividade a partir de janeiro.
A percepção acompanha o desempenho de mercado do setor que, entre janeiro e agosto, exportou 65,3 mil toneladas, alta de 12,8% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel). No mercado interno, o consumo chegou a 19,7 mil toneladas, crescimento de 11,9% no mesmo intervalo de comparação.
O movimento também não se limita a um mês: com exceção de janeiro, todos os meses de 2026 igualaram ou superaram os volumes exportados um ano antes, de acordo com a entidade.
Em agosto, os embarques alcançaram 7,7 mil toneladas, avanço de 24,9% na comparação anual. A perspectiva de recorde, portanto, se apoia no crescimento acumulado e na expectativa de continuidade da recuperação em mercados relevantes.
Europa avança e Estados Unidos ensaiam recuperação
A União Europeia, principal destino do café solúvel brasileiro quando considerada como bloco, comprou 13,1 mil toneladas até agosto, alta de 44,2%. Isso representa aproximadamente um quinto de todo o volume exportado pelo Brasil no período.
