Quase todo mundo já se pegou adiando um relatório, uma consulta médica ou uma conversa difícil, mesmo sabendo que a demora traria consequências.
Por décadas, esse comportamento foi tratado como sinônimo de preguiça ou má gestão do tempo. Nos últimos anos, porém, um conjunto crescente de estudos em psicologia e neurociência vem sustentando outra explicação: procrastinar é, antes de tudo, uma forma de regular emoções, não uma falha de caráter.
Um hábito que atinge quase todo mundo
Levantamentos citados por pesquisadores da área estimam que entre 15% e 25% dos adultos procrastinam de forma crônica, recorrendo ao adiamento como estratégia regular diante de tarefas incômodas.
Joseph Ferrari, professor de psicologia na Universidade DePaul, nos Estados Unidos, e um dos pesquisadores mais citados sobre o tema, calcula que cerca de 20% dos adultos no mundo todo se enquadram no que ele chama de procrastinadores crônicos.
O professor pontua que, embora todo mundo procastine, nem todo mundo é procastinador e que é importante destacar a diferenciação entre o adiamento pontual de uma tarefa de um padrão persistente que compromete a carreira e o bem-estar do indivíduo.
Um dos estudos teóricos mais influentes dos últimos anos parte da psicóloga Fuschia Sirois, professora de psicologia social e da saúde na Universidade de Durham, no Reino Unido, e autora de um dos principais livros acadêmicos sobre o tema, publicado pela American Psychological Association.
