O fortalecimento do El Niño começa a interferir na dinâmica de oferta de gado no Brasil e pode se tornar um fator importante para o comportamento dos preços do boi gordo nos próximos meses. Segundo Beatriz Bianque, analista da Datagro, os efeitos do fenômeno variam entre as principais regiões produtoras, com seca mais intensa no Norte e maior volume de chuva no Sudeste.
Na Região Norte, o tempo seco tende a atrasar a terminação dos animais criados a pasto. Com isso, parte da oferta para abate pode ficar mais dependente de sistemas intensivos de terminação.
“A região Norte é claramente a mais afetada pelo clima seco, o que tende a atrasar a terminação a pasto e, eventualmente, fazer com que os abates dependam mais dos regimes intensivos de terminação”, explica Bianque.
No Sudeste, o cenário é diferente. O maior volume de chuva favorece as pastagens, mas também pode trazer dificuldades para as operações dos confinamentos.
“Isso tende a favorecer as pastagens, porém, na mesma medida, pode afetar as operações dos confinamentos, o que é uma condição de maior cautela e risco”, afirma.
Na região central do país, por sua vez, as condições climáticas permanecem relativamente próximas do padrão.
Chuva pode favorecer estação de monta
Além dos impactos sobre a oferta de animais terminados, a maior disponibilidade de chuva em algumas regiões pode antecipar e fortalecer a estação de monta.
Esse movimento ganha importância diante da transição do ciclo pecuário.
