Um papagaio que não voa, vive à noite e pode passar décadas sem se reproduzir acaba de alcançar um marco importante na luta contra a extinção. O kākāpō, espécie endêmica da Nova Zelândia, chegou a 325 indivíduos após a temporada de reprodução de 2026, que terminou com 90 filhotes sobreviventes sendo oficialmente incorporados à população.
O número representa a maior população registrada desde o início do atual programa de recuperação da espécie. Em 1995, havia apenas 51 kākāpō, sendo 31 machos e 20 fêmeas. A recuperação, porém, está longe de terminar.
O animal continua classificado como criticamente ameaçado e depende de áreas protegidas e de um acompanhamento bastante próximo para sobreviver.
Por que o kākāpō é tão diferente de outros papagaios?
Grande, verde e de hábitos noturnos, o kākāpō é considerado o papagaio mais pesado do mundo. Os machos podem chegar a cerca de 4 quilos.
A espécie também é incapaz de voar e se desloca principalmente pelo chão, com uma caminhada descrita pelo próprio Departamento de Conservação neozelandês como característica de seu comportamento.
Outra particularidade está na reprodução. O kākāpō é o único papagaio conhecido que utiliza um sistema de acasalamento chamado lek, no qual os machos se reúnem em uma mesma área para tentar atrair as fêmeas. Eles passam semanas preparando caminhos e pequenas depressões no solo, onde realizam vocalizações graves conhecidas como “booms” durante a noite.
A espécie também não se reproduz todos os anos.
