Ao reajustar o Bolsa Família, o governo piora a eficiência do programa no combate à pobreza com os R$ 22 bilhões que serão direcionados para elevar o valor base do benefício concedido. Além disso, a decisão pressiona o orçamento público e também é criticada por especialistas por vir a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições.
A avaliação de especialistas ouvidos pela CNN é de que, se a preocupação do governo fosse em proteger as famílias mais vulneráveis contra a inflação, o foco do reajuste deveria ser sobre os benefícios variáveis como, por exemplo, o BPI (Benefício Primeira Infância), destinado àquelas que possuem, em sua composição, crianças de até 7 anos. E também o Benefício Variável Familiar, para jovens entre 7 e 18 anos incompletos.
“A pobreza no Brasil é muito concentrada na infância. O reajuste deveria estar concentrado na questão da estrutura das famílias”, explica Sergio Firpo, professor de economia do Insper. Ele defende que o valor base do programa, o beneficio complementar, deveria permanecer em R$ 600.
Quem também argumenta nesta linha é Daniel Duque, pesquisador associado do FGV/Ibre. Ele explica que, mesmo que o BPI tenha passado de R$ 150 para R$ 173, o ganho absoluto (em reais por pessoa) ainda é maior entre beneficiários de família menor, ou seja, aqueles menos vulneráveis.
O especialista traz o exemplo de que, para um adulto que ganhe só o benefício básico (R$ 600), o aumento com o reajuste será de R$ 91.
