O anúncio do reajuste do Bolsa Família pode ter um efeito eleitoral mais limitado do que o esperado, e até contraproducente junto à classe C. É o que avalia Christopher Garman, diretor-executivo do Eurasia Group, em entrevista ao WW. Segundo ele, pesquisas qualitativas indicam que parte da população está associando o programa a um desincentivo ao trabalho e a uma percepção de injustiça social.
Para Garman, o cenário atual é bem diferente do verificado quatro anos atrás, quando aumentos em benefícios sociais geravam ganhos políticos mais claros.
“O benefício eleitoral de dar um aumento para o Bolsa Família hoje é bem menor do que era quatro anos atrás”, afirmou.
Segundo o diretor-executivo do Eurasia Group, famílias que recebem o Bolsa Família, atualmente no valor de R$ 600, podem, em alguns casos, somar rendimentos que chegam a R$ 800 com o Pé-de-Meia e ainda complementar a renda com bicos, alcançando cerca de R$ 2.000 mensais. Esse cenário, segundo Garman, gera incômodo entre trabalhadores que recebem entre R$ 3.000 e R$ 3.500 por mês.
“O que nós estamos vendo em algumas pesquisas é que a classe C está associando o Bolsa Família a desincentivo ao trabalho de um lado e injustiça, no sentido de que algumas famílias não merecem receber esse benefício”, disse.
