Duas associações ligadas a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, reuniam mais de 103 mil autorizações para descontar mensalidades e serviços diretamente dos salários de servidores da Bahia. A carteira vinculada a esses descontos foi estimada em R$ 1 bilhão e entrou no foco da investigação sobre créditos negociados pelo Master com o BRB.
A Asteba possuía 52.176 autorizações de desconto em folha, enquanto a Asseba registrava 51.111, relata a Folha de S. Paulo. O Master havia informado ao Banco Central (BC) que as duas associações estavam na origem de créditos consignados pertencentes a uma carteira de R$ 6,7 bilhões posteriormente negociada com o BRB.
Ao confrontar essa informação com os registros do governo da Bahia, o BC encontrou outra natureza para aqueles descontos: segundo o BC, eles apareciam como mensalidades e serviços associativos, não como parcelas de empréstimos consignados.
Os dados constam do inquérito da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Master. O sigilo dos documentos foi retirado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dados do governo baiano consultados durante a apuração indicaram, porém, que os descontos nos contracheques não correspondiam a parcelas de empréstimos consignados. Tratavam-se de mensalidades e pagamentos por serviços oferecidos pelas entidades.
Esse foi um dos problemas encontrados na versão apresentada inicialmente pelo Master ao BC.
