O anúncio do reajuste de 15,04% do Bolsa Família provocou uma mudança brusca no comportamento dos mercados financeiros nesta quinta-feira, 17. O Ibovespa, que operava em alta no início do pregão, chegou a recuar 1,2%, aos 183.242 pontos, depois que o governo anunciou que o benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro.
No meio da tarde, o índice havia recuperado o terreno perdido e operava em alta de 0,48%, aos 186.445 pontos. O fechamento ainda estava em andamento. O dólar à vista, no mesmo horário, caía 0,28%, cotado a R$ 5,137. Dados posteriores revelaram que o Ibovespa terminou o dia em 186.105 pontos, alta de 0,31%.
Bolsa Família preocupa investidores
A reação inicial refletiu a preocupação dos investidores com o impacto fiscal da medida. O governo estima custo adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027. O reajuste será aplicado aos pagamentos de outubro e beneficiará cerca de 19,3 milhões de famílias.
O mercado também acompanha o efeito da medida sobre inflação, juros futuros e trajetória da dívida pública. Analistas consultados ao longo do dia revelaram que o aumento permanente das despesas pode elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores.
O movimento ocorre um dia depois de o Banco Central reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros para a faixa entre 3,75% e 4%, o que reduziu o diferencial entre as taxas dos dois países.
