As catastróficas inundações de agosto na fronteira entre o Nepal e a China foram influenciadas por uma complexa cascata de fatores, muitos dos quais foram agravados pelas mudanças climáticas provocadas pela ação humana, de acordo com uma nova análise científica realizada por mais de 20 especialistas internacionais.
A região ainda enfrenta as consequências da devastadora avalanche de gelo e rochas que atingiu estreitos vales montanhosos no final de agosto, destruindo cidades, estradas e pontes, matando pelo menos 1.300 pessoas e deixando mais de 5.000 desaparecidas.
À medida que as tentativas de resgate se transformam em operações de recuperação e o país começa a lidar com a tarefa gigantesca da reconstrução, cientistas de todo o mundo têm trabalhado para entender o que causou a tragédia.
Eis o que já sabíamos: em 26 de agosto, um enorme bloco de rocha e gelo glacial com cerca de 600 metros de largura se desprendeu da montanha Langtang Lirung, despencando aproximadamente 2100 metros no rio abaixo e liberando a mesma quantidade de energia que um terremoto de magnitude 5,2.
A torrente caiu com força suficiente para derreter o gelo quase instantaneamente. Além disso, arrastou sedimentos carregados de umidade e provavelmente colidiu com gelo enterrado no fundo do vale, contribuindo para uma onda de inundação furiosa que percorreu mais de 30 quilômetros rio abaixo a uma velocidade devastadora.
