A LVMH negou de forma categórica, em documento apresentado à Justiça em junho, ter tentado adquirir ações da rival Hermès pertencentes ao herdeiro da família fundadora Nicolas Puech, que afirma ter sido privado de sua participação de 6% na empresa, hoje avaliada em bilhões de dólares, por meio de esquemas envolvendo seu falecido gestor de patrimônio.
“O grupo nunca cogitou adquirir a participação de Nicolas Puech, muito menos contra sua vontade”, afirmou a LVMH no documento, em resposta a um processo aberto por Puech na França no ano passado.
No entanto, documentos judiciais examinados pela Reuters mostram que a LVMH assinou em 2002 um acordo para comprar as ações do herdeiro.
O negócio foi estruturado por representantes da companhia em conjunto com o consultor financeiro de Puech, Eric Freymond, que morreu no ano passado.
Além disso, os documentos revelam que a LVMH e a holding da família de seu presidente pagaram ao menos US$ 20 milhões em comissões e honorários à empresa de gestão de patrimônio de Freymond entre 2001 e 2009, período em que o consultor ajudou a LVMH a construir secretamente uma grande participação na Hermès.
Tanto o acordo de 2002 envolvendo as ações de Puech quanto a dimensão dos pagamentos feitos a Freymond estão sendo divulgados pela primeira vez.
