“Um ano atípico”. É assim que Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), define 2026.
Suspensão das vendas para a União Europeia, cota chinesa esgotada e, por outro lado, Estados Unidos voltando a comprar carne magra, principalmente do Brasil, para abastecer o mercado interno e conter a inflação no preço da proteína. Algumas demandas eram esperadas; outras foram surpresa.
Nesse cenário, o mercado chinês, maior cliente da carne bovina brasileira, segue como prioridade. O esgotamento da cota de 1,106 milhão de toneladas, dentro das medidas de salvaguarda chinesas, praticamente interrompeu os embarques e trouxe efeitos para o setor frigorífico no terceiro trimestre.
Em agosto, as exportações para a China recuaram 98%. A redução severa dos embarques afetou as margens e o fluxo de caixa das empresas habilitadas a exportar.
“Se não fosse a restrição imposta pela cota, o Brasil teria facilmente alcançado a marca de 2 milhões de toneladas de carne exportadas para a China. Estávamos preparados para isso”, diz Perosa. Em 2025, o país embarcou volume recorde de 1,6 milhão de toneladas.
A criação da cota, que passou a valer em janeiro, provocou uma corrida dos exportadores para antecipar as vendas ao mercado chinês. Sem uma regra para distribuir os embarques ao longo do ano, as empresas aceleraram as vendas e a cota acabou concentrada no primeiro semestre.
