Um pequeno animal encontrado em musgos e líquens chamou a atenção de cientistas por apresentar uma capacidade de reparação do DNA que, segundo os pesquisadores, nunca havia sido documentada em outro organismo. A espécie Adineta vaga, um rotífero bdeloide, consegue reproduzir-se mesmo depois de ter os cromossomos fragmentados por radiação e continuar o reparo do material genético nas gerações seguintes.
A descoberta surgiu depois que pesquisadores expuseram exemplares da espécie à radiação e acompanharam o material genético de seus descendentes. O estudo revelou que fragmentos de cromossomos danificados permaneciam nas células e que o DNA perdido era gradualmente reconstruído ao longo de sucessivas gerações. Os resultados foram publicados na revista Science Advances.
Cromossomos podem continuar funcionais mesmo fragmentados
Os pesquisadores expuseram A. vaga a doses de radiação de prótons de 100, 250 e 500 grays. As doses foram estimadas como suficientes para provocar cerca de 88, 220 e 440 quebras de DNA de dupla fita, respectivamente. Na maior dose, um único cromossomo podia ser fragmentado em até 30 a 50 pedaços.
Em condições comuns, uma fragmentação desse tipo representa um problema durante a divisão celular. Isso ocorre porque os cromossomos dependem de uma região chamada centrômero para garantir que o material genético seja distribuído às novas células.
No caso dos rotíferos bdeloides, porém, os pesquisadores identificaram uma estrutura chamada holocêntrica.
