A fotografia sacada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do momento da economia ainda revela um cenário “caracterizado por significativo aumento da incerteza”, segundo o comunicado da decisão de juros de quarta-feira (16).
E apesar de mudanças relevantes nas últimas seis semanas, o colegiado de diretores do BC (Banco Central) praticamente repetiu o comunicado da reunião anterior, de agosto, ao cortar os juros em 0,25 ponto na quarta, levando a Selic a 13,75%.
Mudanças sutis foram notadas, que revelam um panorama “mais construtivo no diagnóstico da inflação e mais preciso na leitura de desaceleração da atividade, porém ainda cauteloso nas projeções de médio prazo”, segundo Beto Saadia, economista-chefe da Nomos.
Em agosto, o Copom escreveu que a atividade apresentava “sinais mistos”, ou seja, alguns setores desaceleravam e outros não. Agora, o discurso foi mais direcionado, afirmando que os dados já “mostram” essa desaceleração, e não apenas a “sugerem”. Além disso, aponta quem está sofrendo: os setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Porém, de agosto para cá, o petróleo subiu fortemente, enquanto a inflação corrente surpreendeu para baixo e os indicadores de atividade reforçaram com maior clareza os sinais de desaceleração.
