Uma investigação encomendada pela ONU afirmou nesta quarta-feira (16) que o aparato de repressão da Venezuela permanece praticamente intacto, apesar da redução de alguns abusos após a destituição do ditador Nicolás Maduro no início deste ano.
Os EUA prenderam Maduro para que ele fosse julgado por acusações de tráfico de drogas, mas mantiveram o regime praticamente intacto, para a decepção da oposição venezuelana, que afirma ter sido privada das eleições de 2024 e que deveria estar no poder.
Em um relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, a missão independente de apuração de fatos afirmou que a captura de Maduro em janeiro levou a uma queda nas detenções de longa duração por motivos políticos e nos abusos relacionados, mas não representou uma ruptura fundamental com anos de repressão.
“As medidas de liberalização política adotadas desde aquela data permanecem, na melhor das hipóteses, parciais, condicionais e reversíveis”, disse a missão, acrescentando que o afastamento das formas mais severas de repressão pode não ser uma “mudança genuína e sustentável”.
A missão da Venezuela junto à ONU em Genebra não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
O relatório, que abrange o período de setembro do ano passado a julho, descreveu a intervenção dos EUA como uma violação do direito internacional.
O regime de Maduro era amplamente contestado pela oposição e por vários governos ocidentais, inclusive em relação à disputada eleição presidencial de 2024.
