Os acontecimentos recentes no Supremo Tribunal Federal colocaram diante do país uma questão que ultrapassa as disputas entre ministros, os pedidos de investigação e os embates públicos que passaram a ocupar o centro da cena institucional brasileira. A pergunta mais importante talvez não seja quem vencerá cada confronto dentro da Corte, mas o que acontece com uma democracia quando a instituição encarregada de exercer a última palavra sobre a aplicação da lei passa, ela própria, a enfrentar uma crise de confiança.
A sessão desta terça-feira tornou esse problema particularmente visível. O Supremo discutia procedimentos relacionados às possíveis investigações envolvendo integrantes da própria Corte quando divergências sobre a condução dos casos deram lugar a confrontos públicos entre ministros. O julgamento terminou sem conclusão após o pedido de vista de Flávio Dino. O episódio, porém, importa menos como acontecimento isolado do que como manifestação de uma questão institucional mais ampla: quem controla aqueles que possuem o poder de controlar todos os demais?
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Durante décadas, a sociedade brasileira concentrou seus esforços no combate à corrupção política. Essa preocupação é plenamente justificável.
