Durante décadas, uma questão dividiu pesquisadores: o Tiranossauro rex era um dinossauro de sangue frio, dependente do ambiente para regular a própria temperatura, ou conseguia manter o corpo aquecido por conta própria?
Uma nova análise de dentes fossilizados fornece a evidência mais direta até agora de que o famoso predador tinha sangue quente. Segundo o estudo publicado na revista Science Advances, o T. rex apresentava temperatura corporal de aproximadamente 36,3 °C, muito próxima à dos seres humanos.
O resultado foi obtido a partir da análise de três dentes de T. rex encontrados na Formação Hell Creek, em Montana (EUA). Os pesquisadores examinaram os esmaltes fossilizados em busca de ligações entre isótopos raros de carbono e oxigênio, cuja formação varia de acordo com a temperatura.
Dentes funcionam como um “termômetro” de milhões de anos
A técnica utilizada pelos pesquisadores se baseia no comportamento de isótopos pesados de carbono e oxigênio;
Em temperaturas mais baixas, esses isótopos formam determinadas ligações químicas com maior frequência;
A quantidade dessas ligações preservada no esmalte permite, portanto, estimar a temperatura em que o tecido se formou;
O esmalte dos dentes é particularmente útil para esse tipo de análise porque sua estrutura cristalina é extremamente resistente à alteração química ao longo de milhões de anos.
