Estádio lotado ajuda ou atrapalha o dono da casa?
A pergunta volta sempre que um time grande cai em casa, com arquibancada cheia e rendimento baixo.
A resposta mais honesta continua sendo a mesma: casa cheia incentiva, muda o cenário e reforça o caixa. Mas o time precisa jogar.
Sem isso, a festa vira decepção.Foi o que aconteceu com o São Paulo na eliminação da Sul-Americana para o Boca Juniors.
Empate por 1 a 1 no Morumbi, com mais de 55 mil torcedores, o melhor público do ano. O Tricolor precisava virar a derrota sofrida na Argentina e não conseguiu.
O primeiro tempo foi pobre de criação, troca de passe e tranquilidade. O segundo melhorou só o suficiente para empatar. Não deu para classificar.
Na entrevista, Dorival Júnior foi perguntado se a atmosfera e a festa da torcida deixaram os jogadores nervosos. Ele confirmou: “Acabou acontecendo isso, não esperávamos isso.” Falou ainda em nervosismo excessivo comprometendo o rendimento da etapa inicial.
A frase caiu mal porque transformou o apoio da própria torcida em explicação de um jogo ruim.O detalhe que desmonta a generalização veio no começo da partida.
Depois de um ataque, Luciano fez gesto pedindo mais incentivo à arquibancada. O principal atacante pedia exatamente aquilo que o técnico, depois da eliminação, classificou como problema.
Não existe receita pronta. Time maduro e confiante usa o barulho a favor. Time travado transforma o mesmo barulho em peso extra.
Um estádio cheio não “faz” o passe errado.
