O adiamento da análise sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes pode prolongar, durante a campanha eleitoral, um dos principais temas que candidaturas de direita pretendem levar para a disputa pelo Senado: a responsabilização de integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Candidatos da direita Brasil afora têm usado a defesa de impeachment de integrantes da corte como bandeira eleitoral.
O pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise do caso por até 90 dias e deixou em aberto a definição sobre o rito dos processos envolvendo Moraes e André Mendonça. Na prática, a discussão pode atravessar o período eleitoral e se estender até dezembro.
Estratégistas de partidos de direita ouvidos pela CNN Brasil avaliam que a falta de uma conclusão sobre o caso pode alimentar, entre eleitores já críticos ao Supremo, a percepção de que ministros da Corte não são submetidos aos mesmos mecanismos de responsabilização cobrados de outras autoridades.
A avaliação é de que candidaturas ao Senado podem explorar esse sentimento de “impunidade” para defender uma mudança na correlação de forças da Casa e a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
O tema, porém, já estava incorporado à estratégia eleitoral da direita antes da sessão desta semana.
