BRASÍLIA - Entidades representativas de juízes manifestaram repúdio e preocupação após o ministro Flávio Dino afirmar, durante uma sessão plenária, que o país vivencia o período mais corrupto da história do Poder Judiciário. A declaração gerou forte repercussão fora dos gabinetes da Corte e motivou notas oficiais de associações regionais da magistratura.
A manifestação inicial partiu da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), que argumentou que eventuais suspeitas individuais ou crises restritas à cúpula em Brasília não podem ser projetadas de maneira generalizada sobre toda a carreira. Para a entidade, generalizações perigosas acabam penalizando injustamente servidores e juízes que atuam de forma correta em todo o país.
Repercussão e clima de tensão na Corte
No Rio Grande do Sul, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) adotou tom semelhante e criticou abertamente a extensão indiscriminada de acusações. A associação reforçou que investigações e suspeitas devem permanecer estritamente vinculadas a fatos e pessoas determinadas, preservando a idoneidade geral da instituição.
As críticas de Flávio Dino ocorrem no contexto de uma sessão considerada conturbada no Supremo Tribunal Federal, marcada por bate-bocas entre ministros, divergências sobre procedimentos de investigações e um pedido de vista que suspendeu o julgamento. Diante do desgaste público e do clima de atrito, integrantes da própria Corte expressaram consternação com o ambiente institucional.
