Os preços do cacau mais que dobraram desde junho, saindo de um patamar acima de US$ 3 mil por tonelada para mais de US$ 6 mil por tonelada atualmente, em meio ao aumento das preocupações com a próxima safra global. Segundo Lucca Bezzon, analista de mercado da StoneX, porém, o movimento ainda é sustentado principalmente pela expectativa de uma possível redução da oferta, e não por fundamentos que indiquem, neste momento, uma quebra expressiva de produção.
A mudança de percepção do mercado ocorreu a partir de junho. Até então, a StoneX projetava um novo superávit de cacau, após a recuperação da produção nos principais países produtores. Costa do Marfim, Gana, Brasil, Indonésia e Equador registraram recuperação de oferta em 2025 e 2026, permitindo que o mercado se reabastecesse depois do período de forte escassez observado entre 2023 e 2024.
Naquele período, a menor disponibilidade de cacau provocou forte alta nos preços da manteiga, do pó e de outros derivados utilizados pela indústria de alimentos. A elevação dos custos também chegou aos produtos finais que utilizam cacau.
Agora, com o início da safra 2026/27, em setembro, o mercado voltou a concentrar as atenções sobre os riscos climáticos. O principal fator é o El Niño, fenômeno associado historicamente a perdas de produtividade em algumas regiões produtoras.
“Essa distorção de mercado tem acontecido desde o mês de junho”, afirmou Bezzon ao CNN Agro News.
