A história das tartarugas-gigantes de Galápagos é uma história de piratas. A partir do século XVI, esses marinheiros começaram a chegar às ilhas, seguidos mais tarde por baleeiros, selando juntos o destino das centenas de milhares de exemplares que habitavam o arquipélago.
A resiliência das tartarugas-gigantes, que, segundo especialistas, chegaram às Ilhas Galápagos vindas da América do Sul há 2 a 3 milhões de anos, tornou-se sua maior desvantagem: como conseguiam sobreviver até um ano sem comida ou água, eram capturadas por marinheiros, que sabiam que resistiriam nos porões de seus navios. “E quando essas pessoas queriam comer, as tartarugas estavam ali, prontas para serem devoradas, e elas tinham carne fresca”, disse Jorge Carrión, diretor de conservação da Galapagos Conservancy, organização que trabalha para preservar o arquipélago desde 1985, à CNN.
Em apenas dois séculos, entre 100.000 e 200.000 tartarugas desapareceram daquelas ilhas quase míticas que Charles Darwin visitou em 1835 a bordo do HMS Beagle, numa viagem que se tornaria fundamental para a sua teoria da evolução.
As tartarugas-gigantes de Galápagos não pertencem a uma única espécie; cada ilha possui sua própria espécie de tartaruga que, ao longo do tempo, se adaptou ao seu ambiente. Várias dessas espécies foram completamente extintas porque os baleeiros que paravam no arquipélago as capturavam para alimentação e introduziam outras ameaças, como espécies invasoras.
