A sessão extraordinária em andamento do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira, 16, revelou um tribunal mais preocupado com quem produziu o relatório da Polícia Federal (PF) do que com o conteúdo das informações sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A avaliação é do advogado criminalista André Fini Terçarolli, sócio da Advocacia Pimentel, especialista em direito de imprensa, mestre em Direito Processual Penal pela PUC-SP e pós-graduado em Direito Penal Econômico pela Fundação Getúlio Vargas.
O deslocamento do eixo
Terçarolli afirma que o ministro Gilmar Mendes mudou o foco do julgamento. O decano desviou a discussão do conteúdo das mensagens. Em seu discurso, Gilmar questionou a origem dos relatórios e dos vazamentos. Ele perguntou quem seria o "vazador-geral da República". O ministro também definiu a polêmica como um "boneco eleitoral". A intervenção redefiniu os rumos do debate no plenário.
Para o jurista, a fala de Gilmar de que "quem não se dá respeito não merece respeito" elevou a tensão e enfraqueceu a advertência do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, sobre divergências pessoais. Terçarolli avalia que a atuação foi politicamente favorável a Moraes: ao transformar Mendonça e os vazamentos nos temas centrais, Gilmar retirou o ministro da posição exclusiva de investigado.
